É tão evidente, que se torna oculto...

É por isto que não gosto de ter televisão... não gosto de saber como vai o mundo.

Vou jantar a casa de quem tem, e fico a saber que alguém (que não sou eu) vai à Beira, tratar de meninos, arranjar madrinhas e padrinhos para transformar as vidas dessas crianças, dar-lhes vidas melhores e hipóteses de estudar, comer e ter uma saúde protegida.

Fico a saber que alguém (que não sou eu), vai com frequência ao meu país, tratar das minhas crianças, do meu povo, da minha terra...

... enquanto eu, ando aqui... a caminho de Ponta Delgada, Funchal e Toronto e o caralho...





É tão evidente, que se torna oculto...



Praia da Macaneta - Agosto 2005


... que eu um dia me vou embora.
E que nem dando duas voltas inteirinhas ao mundo, me vou conseguir voltar a encontrar.





(Um beijinho muito grande à Catarina Serra Lopes, que com o seu projecto Padrinhos de Portugal, mostrado hoje na rtp1, me fez ter mais saudades da minha terra... e mais certezas na minha vida... Obrigado!)

Eu sei lá se a culpa é dos chineses!!!






Pois que isto assim a seco, não tem piada.
Vale o que vale, por serem entrevistas feitas no Porto, com o vocabulário próprio da "região".

Mas agora imaginem, uma tripulação de malucos, que viram isto todos juntos, e passam as piadinhas para o curriqueiro trabalho!

Trabalho esse, entenda-se:

Lisboa - Punta Delgada,
Punta Delgada - Lisboa,
Lisboa - Funchal,
Funchal - Lisboa,
Lisboa - Punta Delgada

(exacto, ao fim do dia estamos mortos e ainda mais parvos!!)


Ex:

Colega 1 - Olha, sabes porque não se fecharam ainda as portas?
Colega 2 - Eu sei lá se a culpa é dos chineses....

Colega 1 - Chefe, ainda falta muito para o embarque completo?
Chefe de Cabine - São mais ou menos 500...

Colega 2 - Sabes se o placa está lá em baixo?
Colega 3 - Tá, tá... mas eu agora vou ter de sair, que tenho uma consulta...

Colega 3 - Viste se o Comandante veio com o Co-Piloto?
Colega 4 - Vi, e o cobeiro foi atrás dele! Era um Toxico Independente. E roubos não são muitos, e não são poucos!!!


Isto, das 6.30h da manhã até às 4h da tarde a trabalhar, com prolongamento pela noite, porque dormimos em ponta Delgada e ainda tivemos de ir às festa de São Miguel beber umas caipirinhas, claro!

Nestes dias, até me dá uma alegria ser chamada de assistência para ir voar!

Eu gosto mesmo desta merda!!! :)


She's got her head in the clouds, he's got his feet on the ground...




Yes, sometimes differences are...



Veggie / Meat eater

Four cats / A Dog

Country Lover for Living / City Lover for Living

Childish, childish, childish!! / Adult, responsible, grown-up

Freaky / Straight

No Children / A Son

Yoga / Gym

Mantras Chanting / Diving

Poetry / Economics

No tv / News Channel

Air Lover / Sea Lover

Andorra for shoping / Andorra for snowboarding

Boat hatter / Boat Sailer

Camping with just a bag / Camping in the Sheraton

Passionate / Cool

A dress and a pair of flip flops / Panties, suit, shirt, tie, socks and shoes

Head in the clouds / Feet on the ground







But then, in a serious conversation, he says:


- You'll be always like this… and we are this. I’ll always be the straight, hard and square guy. And you’ll be always the freak, crazy, lunatic girl. You don’t wanna change me and I don’t wanna change you... We’ll always be Dharma and Greg. This is why we love each other that much. We complete each other…


And a light turns within, and a smile comes on to the lips, and a sure is…

He could said: I love you or I wanna be with you for the rest of the world or you are my biggest love of all


… and nothing would be so perfect than – "You don’t wanna change me and I don’t wanna change you..."






(… love you this much, my baby…)

Windshear



De vez em quando, tenho de ver estas imagens, para me lembrar, que os "maquenistas" destes "pássaros" gigantes, pagaram milhares de euros por um curso, e por isso, talvez tenham aprendido alguma coisa de jeito...




Que não é para me queixar, mas acho que ando com um bocadinho de "pé frio" nestes últimos dias... Ora que depois de uma "pseudo-despressurização", não é que ontem, aqui, mesmo no aeroporto de Lisboa, o urso do co-piloto me faz uma "atracagem" deste género??!!!! Querem matar-me de susto ou quê, pá??? Humm??? Vamos lá voltar a ler os manuais de voo, miúdos!! Andor!!! Vá!! Estudar como se aterra um avião!!!


Assim... em alemão e tudo...




Entendo as raparigas que berram pelo Cristiano Ronaldo ou pelo Quaresma.
Eu faria o mesmo por este homem, se o pudor me o permitisse.


E ainda que saiba que o homem é sempre diferente do autor, quando o visse passar, ali junto à Cinemateca, berrava-lhe: “Pedro, dá-me a tua caneta!!!”

Porque dentro de mim, existe uma adolescente, que não aspira em casar com um jogador da bola...

...mas suspira por um dia, ter um texto destes, com o seu nome em forma de ela.


"Trauer und Melancholie

Esta noite sonhei com ela. Ela aparecia no sonho como uma pessoa detestável pelas coisas que dizia e fazia. Aqui em casa, no entanto, o sonho não comanda a vida, que eu não deixo. O meu cérebro quer que eu a deteste para completar o «luto» (é um cérebro que leu Trauer und Melancholie em alemão e tudo), mas eu não admito poucas vergonhas dessas. Ela não é nem de longe detestável; a única personagem detestável neste episódio foi a minha estupidez. O cérebro que se habitue."


Pedro Mexia

LOVE, ACTUALLY...

Comecei a voar há cerca de 5 anos atrás...
Uma amiga boa mandou-me um e-mail que dizia: "olha aqui um trabalho bom para gajas desocupadas!"
Eu concorri e fiquei.

Voei durante algum tempo. Conheci partes do mundo, que nunca esperei conhecer. E conheci partes de mim, que seria impossível descobrir se estivesse na Terra.

Lembro-me de um voo que fazia para São Tomé, todas as semanas. Era um voo difícil... Fazer São Tomé ida e volta, são mais ou menos 7 horas de viagem para lá. Duas horas no chão para desembarque, limpeza do avião e embarque novamente de passageiros. E depois mais 7 horas de viagem para cá.
Para lá, o voo era nocturno. Para cá, diurno - depois de uma noite inteira sem dormir.
Mas era um voo do qual gostava.
Na volta, sobrevoamos o Sahara durante muito tempo. Temos a noção espacial do grande mar de areia que avassala África. Lembro-me de ficar à janela só a olhar o deserto... outras vezes, de ir ao cockpit e ficar a olhar a linha ténue que separa o céu da areia.

Agora que voltei a voar, voltaram também todas essas sensações... Ver a Terra do Céu é das coisas mais fabulosas a que o ser humano se pode submeter. É a noção da nossa pequenez e de grandeza do Mundo.

Quando descolamos, um dos procedimentos é fazer um silent review. Senta-mo-nos no jumpseat, concentra-mo-nos, e revemos na nossa cabeça todos os procedimentos de emergência que aprendemos, no caso de alguma coisa correr menos bem. Se algo acontecer, temos tudo estudado, previsto e actuamos.
No silent review, vejo tudo isso. Estou pronta a actuar.
... e abraço todas as pessoas de quem gosto. Falo com elas no meu pensamento. Digo-lhes o quanto as amo, o quanto me fazem ainda mais feliz, e recordo sempre momentos bons, muito bons que passo com elas.

A aviação é boa para nos dar o real imediato que é a vida.

Quando se voa, nunca nada é como planeado. Todos os voos atrasam, e nem sempre o regresso a casa, aos que amamos, aos que nos querem bem; é como planeado. Basta uma simples coisa acontecer na Terra, e tudo à nossa volta se altera. E tudo na nossa vida deixa de ser o que era previsto.

Num desses voos para São Tomé, lembro-me de sobrevoarmos a Argélia, e de repente, duma revolução se ter instalado no país, as autoridades argelinas, simplesmente nos disseram via rádio: "a partir deste momento não podem voar o nosso espaço aéreo. Ou voltam para trás ou abatemos o avião." E a vida transformou-se. E tudo o que era, deixou de ser.

São estas coisas, estas pequenas coisas, que nos ajudam a crescer de dentro. A ficarmos "mais altos" como diz a poetisa.

São estas coisas que me fazem ignorar um colega mais embirrante ou mais Don Juan, um passageiro mais chato ou um voo mais difícil. São estas coisas, que me fazem sorrir quando um passageiro me dá 5 euros de gorjeta para eu ir à bica (depois de eu ter feito o meu trabalho de lhe guardar a mala!), ou quando um colega me dá uma lata de cola (depois de muiiiiiittttoooo agitada) para eu dar a um passageiro e fica com falta de ar, só de rir a ver o que vai acontecer; ou ainda, quando um Comandante antes do embarque dos passageiros, me pede para ver os sapatos e eu, URSA, me descalço para lhos mostrar, e ele os manda porta fora do avião (como aconteceu no último voo!!) pondo toda a tripulação a rir, vendo-me ir à placa DESCALÇA buscar os sapatos!

É esta. Esta vida que eu escolhi e que de alguma forma o Universo me permite ter, que me faz amar mais as coisas, as pessoas, os sítios.... É esta incerteza de voltar, ou de quando voltar tudo estar diferente, que me dá a real vida. Porque ela é mesmo assim - rápida, imprevisivel, cheia de ritmo...

E mesmo os que me acham lírica, sem querer, se vêm entrar neste ciclo... nesta espiral.

Nunca os meus pais se abraçariam a mim desta maneira, se eu fosse trabalhar para um escritório qualquer... Nunca o meu irmão me telefonaria a saber se o dia naquele trabalho de uma loja ou de um restaurante, me tinha corrido bem... Nunca o meu amor feito homem, se despediria de mim com tanta ternura, se levantaria às 4 da manhã para me ir por ao trabalho, ou me telefonaria passadas duas horas a saber se está tudo bem...

Quer se queira, quer não, os aeroportos são lugares de amor - como diz o autor do filme "Love Actually" - são lugares de amor onde deixamos os que amamos, plenos de certeza que os voltamos a ver... e com o coração apertado. Porque lá no fundo... mesmo no fundo, escondido entre as brumas de todas as emoções, está sempre a incerteza. Mínima... mas viva. Que só desaparece, no mesmo aeroporto, quando vimos, por debaixo da placa "Chegadas", o semblante de quem amamos. Vivo e de braços abertos, para nos receber de volta ao coração.






The World is a beautiful place!!

Só para ficar em acta:


- Não tenho net, e foi uma alma caridosa que me deixou vir aqui dizer: "Olá! Sim, estou viva! E não! Não fiquei em Toronto."

- O voo de Toronto, em vez de 4 dias, passou para um night stop, onde apanhei um maravilhoso Jet Lag de matar um boi.

- Tenho andado a voar desalmadamente, sem tempo justo para ir aos vossos blogs ou sequer, para responder a e-mails e telefonemas. No entanto saibam, que estão sempre no meu pensamento :)

- Ontem tive uma despressurização no avião, que fez aquecer a parte de trás da aeronave como se fosse os fogos da Califórnia, o avião cair em altitude e depois começar a descer a pique em direcção ao Oceano. Quando o agarrou, o Comandante achou que se calhar era melhor voltar para trás e tal, porque se calhar havia ali qualquer coisa que não estava a correr bem. E assim foi. E cá estou eu, vivinha da Silva.



Tirando estas coisinhas, hoje vou a caminho de Ponta Delgada e continuo a achar que o Mundo é um sítio maravilhoso! Continuo a ser feliz e cada vez mais, ligo menos, às coisas que para uns são grandes, e que para mim, se tornam tão pequenas!

... E cada vez mais, me preenchem tanto coisas pequenas... como este mimo do Trindade :) sorrisos, olhares, passageiros, o som do mar, pessoas, sítios, afectos, abraços, o cheiro das árvores, e despedidas de aeroportos. Sempre as últimas, até às próximas...

... mas isto sou eu, a Fairy Sprinkling! :)



Roubado às Meninas e Moças, Cachopas e Gaijas






Nada como dizer as coisas...

Toronto
(foto ainda tirada do google
mas segunda-feira já são fotos minhas!)


Assim, sim!

Barafusto e a coisa dá-se!


Pronto!

Mais calmita e agradecida!

Porque amanhã tenho de escolher disto tudo, o que vou ver, e no sábado degustar isto.




(São escusadas msgs ou comments a dizer o quanto eu "meto nojinho".
A resposta é sempre a mesma - Tivessem escolhido esta profissão!
Mandem o cv e tentem a sorte.
A inveja é uma coisa muito feia! :p )

Carta, mais do que aberta, às gasolineiras, grevistas e outros caralhos tais!




WARNING - Este texto contém linguagem explícita.


Hoje, tinha um post lindo para colocar aqui.
Falava do dia, que segundo o nosso Presidente - é o dia da raça portuguesa – seja lá isso o que for.
Era acerca desse dia 10 de Junho, em que eu, como boa não portuguesa, fui assistir a um maravilhoso ritual Hindu ao Templo Shiv Mandri, a que o meu gajo, estoicamente me acompanhou, levando a seca da sua vida, e que, com boa cara me disse – "Adoro-te! Mas NUNCA MAIS! Foda-se! "

Mas não.
Fica para outro dia, mais calmo, em que eu esteja menos recorfodida com os camionistas e as gasolineiras e os cabrões que têm as gasolineiras e os pixas no cu que não querem negociar com os gajos das greves e o caralho!


Assim, cá vai o meu apelo:

Pessoal das gasolineiras, a ver se vocês se atinam!!!!

Hoje, ia fazer um singelo Lisboa – Ponta Delgada (gosto de dizer Punta Delgada, porque dá aquele glamour de um qualquer destino estrangeiro. Se bem que nos Açores, a língua, já por si, seja estrangeiríssima!) com saída de Lisboa às 12.50h e chegada a Lisboa às 18.40h.

Primeiro, tive de esperar por um avião que vinha da Horta, para o nosso avião poder roubar um cadinho de combustível a ver se dava para ir até ao Porto.
Depois, ainda tivemos de ir ao Porto abastecer o animal para ver se dava para chegar a Punta Delgada.

Pelo caminho, levava 80 putos que vinham de Fátima em peregrinação, que em vez de anjos pareciam gremlins, a tocar às campainhas, a dar pontapés nas cadeiras dos passageiros e etc; uma puta que quiz fazer reclamação porque teve duas horas à espera para comer, e achou mal a sua sandes ter o fiambre de fora (porque toda a gente sabe que ter o fiambre um cadinho de fora da sandes pode ser mortal!!) e para finalizar em beleza, levava ainda três ingleses que acabaram com o stock de cervejas a bordo!!

Chegada a Punta Delgada, foi fazer a rotação mais rápida da minha vida e embarcar 180 passageiros, mais do que fodidos, por estarem nos aeroporto à espera há mais de três horas. Traze-los para Lisboa e chegar ao aeroporto, onde estiveram mais meia hora encafuados, à espera para sair do avião. Bem disposto e satisfeitos (só não me chamaram mãe!) por haver pouquíssimos autocarros devido ao racionamento de gasolina.

Com isto tudo, e este maravilhoso voo, que saía de Lisboa às 12.50h e chegava às 18.40h, eu cheguei a Lisboa às 21.00h – cansada, insultada e lixada!!!


Portanto, senhores das gasolineiras aka filhos de uma grande puta, pixas no cu de grevistas ou seja lá o que for, só tenho uma coisa a dizer:

Sexta-Feira, tenho um voo de estadia de 4 dias em Toronto!!
Preciso de sapatos, roupas e afins!
Tenho de ir a Chinatown comprar uns Doce & Gabanna, trazer um Brietling ao meu gajo e ainda tenho de ir à Gant comprar umas roupas giras para o filho do meu gajo.
Tenho de ir ver os preços dos iphones e comprar algumas seasons. Ainda tenho de ir ver um espectáculo para o qual já comprei bilhetes on-line e já tenho jantar marcado com uns amigos que veem de propósito de Montreal para me ver, no sábado à noite!!
Além de que, EU PRECISO DE TRABALHAR!!!! E se continuarem nessa merda, os voos vão começar a ser cancelados e é o caos!

Portanto, FODAM-SE!!! Façam greve, façam o que quiserem, mas abasteçam o aeroporto, seus caralhos!!!!

Tenho dito.





(e agora mais a sério – eram 80 miúdos... onde o mais velho teria 10 anos. Saíram de Fátima às sete da manhã, hora a que tomaram o pequeno almoço. Estiveram até às duas da tarde sem comer mais nada. Cheios de calor, (porque não se podia ligar o ar condicionado dado não haver combustível), fechados dentro de um avião, com fome e aborrecidos pela espera. Não se admite. Eu sou a favor da liberdade de expressão, e só assim se “make a point”... epá... mas custou-me muito ver os miúdos assim por causa de uma luta de poderes e dinheiros... foda-se, que até nisto, sobra sempre para os mesmos...)

Tenho um céu azul e uns pés para voar...

"The dream" - Gwendolyn Kraehenfuss



Quando decidi deixar a aviação, o mundo das pessoas com asas caiu-me em cima. Diziam-me ser impossível. Que quando se experimenta o céu, ele deixa de ser o limite e passa a ser o local de partida. Que iria ter nauseas, dores e insónias, tal e qual um dependente. Que depois de voar, até custa a andar. Que o mundo passa a ser um “lugar estranho”.

E isso nada disso aconteceu.

Aconteceu-me só uma tristeza. Uma noção de despedida. Uma sensação de não pertença. Uma vontade de não querer encontrar mais, quem continuasse a voar.

No dia 9 de Maio ligaram-me de uma companhia aerea portuguesa.

Eu estava a conduzir, e à medida que o meu sangue deixou de fluir para o cérebro, também todo o trânsito atrás de mim parou. Dum curriculum deixado perdido, algures no tempo, algures numa secretária, chegava aquele meu momento. Era a última oportunidade. Ali. À distância de um telefone.
Fui à entrevista que aqui contei, e fiquei. Aceitaram-me. Quiseram-me dar asas para voar.

Fiz o o Curso de Refrescamento durante o tempo que vos disse até já, e ontem, dia 6 de Junho assinei o contrato.

Por 6 meses volto a voar.

Por 6 meses, das minhas costas vão surgir duas grandes e enormes asas. E mergulharei de novo num grande deserto azul.

Estou muito feliz!!




Este texto vai para todos os que me têm acompanhado e sem querer, sofrido comigo, todo este tempo que estive em terra. Quero abraçar todos aqueles que me mandam e-mails aos quais raramente respondo, porque eu sou mesmo assim... uma desorientada.

E acima de tudo dizer:

As palavras que me escrevem, tocam-me, ressoam dentro de mim, brotando uma enorme ternura por quem nunca vi o rosto, o semblante... nem sequer os olhos.

Vou voar, e levo-vos a todos no meu bolso da camisa da farda.
Mesmo junto ao coração!

Obrigado, obrigado, obrigado!


Ana, miúda dos desertos – de areia, de betão... de nuvens.

Adams... My name is Jumpseat Adams... From Adams family. Ou o Yoga simplificado.






Pai – Tenho tido algumas dificuldades em respirar antes de dormir... parece que quando me dá o sono, é que o nariz se entope.


Eu – Isso é cansaço e stress. Experimenta uma respiração do Yoga para relaxar. Fazes assim: sentas-te na cama, confortavelmente. Com o indicador direito, tapas a narina direita e inspiras só pela esquerda. Inspiras, contrais o perineo; expiras, libertas o perineo.


Pai – O perineo?!? Porra!! Mas como vou eu contrair o perineo?


Eu – Ao principio pode parecer estranho, mas depois habituas-te. O perineo é uma zona muscular, com o tempo, torna-se tonificada e fácil de aceder.


Pai – Não me parece viável. Parece-me até desconfortável. Sei lá eu contrair o perineo e respirar ao mesmo tempo!! Ainda morro asfixiado!


Eu – Experimenta. Sem experimentar não sabes. É uma respiração calma e vai trazer-te harmonia ao sono e às vias respiratórias.


Pai – Não sei se sou capaz de fazer isso...


Meu irmão – Pai, estás a ver quando estás à rasca para cagar? Assim mesmo à rasca, com suores frios que até respiras fundo e tens que apertar o olho do cu p'a caraças?? Pronto! É isso! É a mesma merda!





Amores de Estimação # 5






Eu sou fã de desportos.

Não daqueles desportos perigosos de correr em cima de uma passadeira onde não se vai para lado nenhum (aliás, isso até é mentira, porque houve uma que me atacou e eu andei cerca de 5 metros para a frente), ou aquelas bicicletas estáticas, que se fizer um cavalinho levo com ela em cima mais os risos dos praticantes assíduos do ginásio (aka bois do ferro a encher o cu de esteróides para ficarem com uns braços gigantes e uns tomates aberlinados).

Depois ainda há a elíptica (ou a epilética), que é uma merda de andar assim no ar e mexer os braços ao mesmo tempo. Basicamente é um instrumento de tortura inventado pela Santíssima Inquisição, onde basta uma descoordenação, uma simples falta de atenção, e nós somos sugados por um buraco negro que se abre, obrigando a uma abertura de membros demoníaca. Somos rasgados ao meio e se tentarmos resistir, as coisas de segurar as mãos, ainda nos batem na cara (ou na barriga ou nas costas, depende do estado em que já estejamos) e para fugir, só mesmo um salto abismal, perante o ar perplexo da pessoa do lado.


Também não tenho muita paciência para Personal Trainers, gajos que não têm grande merda para fazer e gostam de estar a berrar – vai, mais duas flexões!!! Dá-me mais três series de abdominais!!! - e eu a pensar – dou-te é uma bofetada nessa cara se não te calas, ó cabrão!!

O meu PT (pt é o nome posh que eles se auto-intitulam) é um anão gigante. Tem cerca de 1,60m de altura e 5 metros de lado. Não tem pescoço e as pernas vão-lhe até às omoplatas. A cara fundiu-se com o peito, e a minha inveja são as suas mamas (rijas e gigantes! Como eu queria aquelas mamas no meu corpo!) No entanto, o que mais gosto no meu PT, é o facto de ele ter dois caniches. Dois cães anões, histéricos e excitadinhos, a que ele chama de “meninas do papá.”
Aparte disso, gosto dele. É um querido e já entendeu que aqui não leva a dele avante com gritarias ou ameaças:

- Vá!!! Mais 125 abdominais!!!

- O quê?!? Deves estar doido!! Eu já estou a vomitar os pulmões!!

- É de fumares!!!!! Vá!!! Caluda!!!! Enche 10!!! Vá!!! Mais 10!!!

- Olha... sabes que mais? Caguei!! Vou-me embora. Pareço um porco a suar.

- Não vais nada!!!! Não queres ter uns abdominais fantásticos?? Não queres ter um six pack brutal?????

- Sim... quero... mas não é hoje, baby...

- Eu desisto!!!! Ahh!!!!! Porrraaaa!!!! Desisto!!!! Tu estragas o meu trabalho!!! Tu não me respeitas!!!

- Sim, bébé... já sei... agora vou, tá? Beijinho!

- Vai!!!! Vai!!!! Fraca!!!!! Ficas já a saber que tens de arranjar outro PT!!!! Eu já não te treino mais!!!!! Ouviste bem???? EU NÃO TE TREINO MAIS!!!!

- Sim, já ouvi. Repara, eu oiço isso todas as semanas. Da mesma boca e com a mesma intensidade. Já tivemos esta conversa. Agora vou, tá? Cá bjinho suado!

- Foda-se! Tu não me respeitas, tu és a minha vergonha... Pronto.... desisto. 5º feira à mesma hora?

- Sim. À mesma hora.


Por outro lado, no ginásio há ainda as aulas de Body Combat, onde o Alexandre, um homem querido, simpático, doce e meiguinho (também professor de yoga); toma qualquer coisa antes da aula (só pode!) e começa a viajar numa dimensão paralela, onde no seu filme, toda a gente tem de levar porrada e ser agredido e ser aterrorizado pelos seus gritos de combate.
Na maior parte das vezes, só me dá vontade de rir, aqueles berros do – dá-lhe com o joelho na boca!! Parte-lhe os dentes!! Isso!!! Agora a sequência completa: pontapé nos tomates, murro no estômago, joelho na carra, murro no queixo, cotovelo no pescoço!!! - tudo ao som de uma música frenética, (que não deve ser boa para cardíacos) e de urros largados pelas gordas que lá andam!!



O meu tipo de desporto, é mesmo outro. Sem stresses, ameaças, berros ou perigos. Gosto de Rally, parapente, karts, paintball, etc.
Sei que em nada moldam o corpo, mas alegram-me os espiritos.

Lembrei-me disto tudo, porque hoje vi o meu carro!
O meu amor de estimação!
O veículo dos meus sonhos!
Mesmo assim, aqui à minha porta!

Uma Cangochinha!
Uma Renault 4 L!
Vermelha, linda, estimada e cuidada; pronta para fazer um Rally!

Quando a fiquei a admirar, reparei que lá dentro estava um gajo lindo. Mesmo giro!

É quando me dá aquele click mental e eu fico a imaginar que para ter uma cangocha tão linda, este homem, além de giro, é sensível.... é músico, toca violino ou violoncelo, lê poesia e recita Brecht em analogia com Ruy Belo, deseja criar um mundo melhor e está pronto a seguir viagem, qual Chatwin, só com uma mochila, a sua cangocha e um Moleskine...


É então que ele estaciona, vê-me embevecida a olhar para a cangocha, sai do carro e me diz:

- É uma machine bueda louca, né dama? Tá toda kitada!

A música profunda que o seu rádio toca “hoje à noite só eu e tu, para ti cola e Malibu” é de um gajo que eu vim a descobrir que se chama TT – como o audi – rei do hip hop português (seja lá isso o que for).

Eu sustenho o vómito, mesmo aqui, junto à epiglote, tento sorrir e digo:

- Sim, é um lindo carro... (enquanto o meu cérebro pensa que estou num teledisco da MCM e me debita – This is Soooooooo fucking suburbia!!)

Ele, detrás dos seus bling-bling, calças à parva e crista à Quaresma, ainda tenta ser simpático (ou parvo, depende da boa vontade de cada um):

- Se quiseres, podemos ir dar uma volta. Isto voa nas horas.

Eu ainda penso – nenhuma cangocha voa nas horas, mas era uma boa oportunidade para lhe roubar o carro! - no entanto, a consciência fala mais alto:

- Não posso. Tenho de ir para a minha aula de body combat, a que não posso mesmo faltar. Obrigado na mesma.

Sigo caminho e nem oiço o que diz.

Vou a remoer até ao ginásio – foda-se! Uma cangocha tãããoooo linda nas mãos daquele animal!! como é possível, o carro dos meus sonhos nas mão de um 50 cent branco??!! Ó por favor! O MEU carro, o carro que eu mais quero, o carro mais idílico, tão lindo, tão arranjadinho nas mãos daquele Chunning....


Entro, e o Alexandre do Body Combat cumprimenta-me:

- Então linda luz deste ginásio? Pronta para a aulinha, minha querida? Bem disposta?

E eu só lhe grunho:

- O mundo é muito injusto! É uma injustiça! Bahhhh!!! Não suporto os subúrbios!!

Ele ri-se, os olhos avivam-se e eu compreendo que ele já se passou para a outra dimensão quando diz:

- Ah! Hoje vens com o humor certo para a minha aula! VAMOS!!!!!